SOBRE A PÁTRIAMADA

1- Da Entidade Social

Nome: Instituto de Educação Ambiental, Preservação, Conservacionismo e Promoção Social – “Patriamada”

Sede administrativa:
Rod. Régis Bittencourt, Km 323 – Juquitiba – São Paulo
CEP: 06950-00 0    Tel.: 3813-8773/ 4681-2854
CNPJ: 06.241.365/0001-94

2- Do Representante Legal

Nome: Regina Fonseca
Endereço: R. Alcantarila, 87 - apto 91 – Vila Andrade – São Paulo
CEP: 05717-170      Tel.: 3501-9462

3- Do Técnico Responsável pelo Projeto

Nome: Maria Claudia Di Guglielmo Gutschow
Endereço: Av Jurucê, 70 apto 43 – Moema – São Paulo
CEP: 04080-010      Tel.: 5093-3029
RG: 13.861.936 - CPF: 114.750.508-01

4- Finalidade Estatutária da Entidade Social

A associação terá a finalidade de, em caráter multidisciplinar e sem fins lucrativos, promover a defesa, preservação e conservação do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável, o desenvolvimento econômico e social e o combate à pobreza, por meio do ensino, da assistência social, da saúde, da pesquisa e da capacitação profissional da população brasileira carente, possibilitando, assim, a inclusão social e a ampliação das alternativas de inserção socioeconômica e integração dos indivíduos no exercício da plena cidadania.

Conselho Municipal da Criança
e do Adolescente - Juquitiba
Registro 00001/2010

5- Área de Atuação

Social, Cultural, Educacional e Ambiental.

6- Local de Atendimento

São Paulo - Capital e Vale do Ribeira.

7- Capacidade de Atendimento

Atendimento a sete mil crianças e adolescentes da rede publica de ensino.

RESUMO

Todos os anos, nos meses de abril e maio a TOCA DA RAPOSA recebe 50 indígenas da tribo Kuikuro da Terra Indígena do Xingu (TIX) - Mato Grosso, com o objetivo de mostrar sua cultura e vender seu artesanato, promovendo uma alternativa sócio-econômica cultural sustentável, que não compromete a manutenção dos valores culturais da tribo.

O INSTITUTO PÁTRIAMADA na sua missão de desenvolver projetos sociais promoverá inclusão das crianças e jovens carentes das  regiões de São Paulo - Capital e do Vale do Ribeira neste projeto, disponibilizando transporte, entrada gratuita, lanche,  programação de atividades e programa de capacitação de professores para o trabalho a ser desenvolvido após a visitação.

MEU AMIGO KUIKURO

Objetivos

  • Promover, nas crianças e jovens da rede pública de ensino, a ética e cidadania através da valorização dos povos indígenas, do reconhecimento que são parte da identidade brasileira e do respeito ao índio e suas origens.
  • Promover, nas crianças e jovens da rede pública de ensino, a valorização das diferenças entre etnias. 
  • Promover o conhecimento de nossa história pela vivência do convívio com um dos povos originários de nosso país.
  • Levar as crianças e jovens da rede pública de ensino a reconhecer as contribuições dos povos indígenas para formação de nossa cultura.
  • Reconhecer que os povos indígenas precisam do apoio das atuais e novas gerações para garantir seus direitos e preservação de sua cultura.

Público

Público Alvo: crianças e jovens da rede pública de ensino.
Público Paralelo: educadores e membros da tribo Kuikuro.

Estratégia

A estratégia divide-se em duas etapas:

  • A visitação
  • Programa de reforço nas salas de aula

ETAPA 1 - A VISITAÇÃO

O intercâmbio

Ao fazer contato com os hábitos da tribo Kuikuro, crianças e jovens  vivenciam alguns de seus costumes, trocando informações e experiências. Estabelecem um intercâmbio, adquirem e passam conhecimentos.

As crianças e adolescentes da rede pública de ensino terão a oportunidade única de conhecer de perto esta cultura, seus hábitos, suas lendas, além da chance de enriquecer seus conhecimentos para que possam crescer formadores de opinião e conscientes da importância da preservação e resgate da origem dos povos.

O projeto leva estas crianças e jovens ao exercício consciente da ética e da cidadania, formando uma geração  mais humanizada que respeita a dignidade, cultura,  costumes e  crenças  da população indígena.

O local

Uma série de eventos serão realizados nas dependências da Toca da Raposa, localizada em um fragmento da Mata Atlântica, em Juquitiba – São Paulo, que possui um Criadouro Conservacionista de Animais Silvestres devidamente autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), que abriga e mantém 260 animais entre aves, répteis e mamíferos, muitos deles ameaçados de extinção.

Para inserir os visitantes nessa cultura tão especial dos índios Kuikuros foi construída uma aldeia cenográfica, com duas ocas – a moradia de todos os indígenas do Xingu.

Neste local o Chefe Kuikuro realiza palestras além de apresentações de dança, cantos, brincadeiras e demonstrações de arco e flecha.

O roteiro

Com o objetivo de fazer um intercâmbio entre as duas culturas, será criada uma programação especial.

As crianças terão transporte para a chegada e saída do local, um lanche será oferecido, em seguida participam das seguintes apresentações e atividades.

Apresentação da tribo

No pátio da aldeia cenográfica, os Kuikuros adornados com pinturas corporais, cocares, colares e máscaras, apresentam suas danças e entoam seus cantos.

Em dado momento, todos os visitantes são convidados a participar da dança, integrando-se e vivenciando uma das formas mais expressivas da cultura Kuikuro.

Apresentação de arremesso de arco e fecha

Demonstração de domínio e destreza dos Kuikuros no arco e fecha.

Apresentação do Ritual Karup

É um ritual em memória dos mortos, com cantos e elementos da natureza, que tem grande significado para a nação Kuikuro.

Apresentação da luta Uka Uka

Uma modalidade esportiva muito popular entre os indígenas, que dá muito prestígio aos ganhadores.

Dentro da oca: o encontro com o chefe da tribo

Os visitantes conhecem a oca e suas disposições. Dentro dela, participam de uma breve conversa com o chefe da tribo, que fala das diferenças culturais e costumes dos Kuikuros e do homem da cidade.

Alimentação

Uma índia prepara em um grande prato de cerâmica uma massa de mandioca: o biju, que é oferecido a todos os visitantes.

Outro prato que os visitantes podem experimentar são os peixes assados: o matrixã e o pacu, que são a base da culinária dos Kuikurus.

Pintura corporal

Os indígenas pintam os visitantes com desenhos típicos da tribo, que representam a natureza e suas lendas. Os visitantes gostam muito desta interação.

Acervo Kuikuro

Visita ao acervo com artefatos indígenas como colares, cocares, cintos, pentes, adornos corporais, redes, tintas naturais, brinquedos, arcos e flechas, etc.

Atividade lúdica

Uma atividade recreativa baseada em brincadeiras indígenas encerra a visitação.

Para contribuir com a auto-sustentação da tribo, o Intituto Patriamada disponibilizará parte do recurso adquirido para o investimento em dez peças de artesanato indígena por escola, para auxiliar nos estudos em sala de aula.

ETAPA 2 - TRABALHO EM SALA DE AULA

Os professores terão à sua disposição um guia de orientação com textos e atividades para serem trabalhados em sala de aula.

  • Este manual será disponibilizado via internet com senha de acesso e terá como objetivo fornecer ao professor conhecimentos, informações e ferramentas, que o capacitam a transmitir às crianças, de forma clara e objetiva, informações sobre os povos indígenas e em especial os índios Kuikuros.
  • Também receberão instruções sobre a didática e as diversas ferramentas que poderão dispor para o reforço e construção do conhecimento, como  pintura, história em quadrinhos, livros comunitários, artesanato, pesquisas de campo, teatro,  rádio escolar, jornal escolar, brincadeiras indígenas, culinária,  etc.
  • O Processo

 Antes da visitação

Os educadores recebem no primeiro mês do ano letivo, textos e sugestão de atividades que tratam:

  • Da cultura, dos valores, das diferenças culturais e étnicas do país, especificando   a região do Xingu e os índios que vivem lá;
  • Da cultura Kuikuro, origem do nome, onde vivem, como vivem, costumes, crenças e histórias.

Depois da visitação

  • Bate papo com a turma sobre suas impressões, do que mais gostaram, ressaltando e conduzindo a lembrança de cada situação através de atividades como pinturas corporais, dança dos Kuikuros, confecção de arco e flecha (com palitos de fósforos), artesanato, etc.
  • Textos sobre as lendas indígenas, com atividades como teatro, história em quadrinhos, desenhos, pintura ou livros comunitários.
  • Contribuições que recebemos na formação da nossa cultura, como  banhos diários, tradição do chimarrão,  crença no sobrenatural, remédios, culinária, artesanato, vocabulário, redação,  jornal escolar, jogo da memória coletivo, etc.
  • A filosofia e respeito à natureza dos povos indígenas em especial dos Kuikuros, com atividades como representações, relaxamento, redações, etc.
  • As dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas, que padecem com o domínio de suas terras, com aculturação, com a transmissão de doenças desconhecidas e danos a natureza.
  • Discussão de como ajudar a preservar sua cultura.
  • Tornar cada aluno um multiplicador de idéias atuando na comunidade, em locais como associações de bairro, centros comunitários, igrejas, através de atividades  como  jornal escolar, rádio comunitária, exposição de pinturas, feira de artesanato e cultura indígena nas escolas.

Conclusão

A convivência com os Kuikuros e o trabalho em sala de aula fortalece a visão de um Brasil mais rico em ideais e culturas, um país que tem a força da figura do índio no seu passado e nas marcas que deixou com histórias, costumes, palavras e uma sábia simplicidade diante da vida e do meio em que vive.

Ao proporcionar às crianças esta experiência, estaremos construindo valores permanentes e uma consciência da responsabilidade de cada um na preservação da cultura indígena.

SOBRE OS KUIKUROS

Os Kuikuros são, hoje, o povo com a maior população no Alto Xingu. Eles constituem um subsistema Karib com os outros grupos, que falam variantes dialetais da mesma língua (Kalapalo, Matipu e Nafukuá) e participam do sistema multilíngüe conhecido como Alto Xingu, na porção sul da TIX - Terra Indígena do Xingu.

Os Kuikuro, uma das quatorze etnias que integram a Terra Indígena do Xingu, irão mostrar para os alunos na Aldeia Cenográfica da Toca da Raposa sua cultura: danças, cantos, rituais, máscaras, adornos plumários, pintura corporal, utilização do arco e flecha, preparo do peixe e do biju e sua arte: exposição e venda de seu artesanato - colares de caramujo, redes de buriti, esteiras, bancos, cerâmicas, brinquedos e outros.

Terra Indígena do Xingu (TIX)

Está situado ao Norte do Estado do Mato Grosso, numa região de transição ecológica entre o Cerrado, característico do Brasil Central, e a Floresta Amazônica. A região é uma grande planície, na qual predominam as matas altas entremeadas de cerrados e campos.

Sua área atual é de 2.797.491 hectares, com aproximadamente 5.000 indivíduos exclusivamente indígenas, segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA) 2002.

O clima no alto Xingu é como nas demais regiões do Centro-Oeste brasileiro. O ano divide-se em apenas duas estações: a das águas, que abrange os meses de outubro a abril e a da seca, que se estende de maio a setembro.

Fauna e flora no ambiente dos Kuikuros

As matas que cobrem a região fazem parte do tipo amazônico geral, pela sua densidade, pela coloração verde-escuro e pela continuidade da formação florestal, que se estende por todos os lados. Os raros espaços abertos, que ocorrem ao longo dos médios e baixos cursos dos rios, ao sul, não passam de clareiras ou de varjões, às vezes amplos, mas limitados sempre pela mata alta dominante.

Quase todas as espécies animais de ocorrência amazônica podem ser encontradas na região do Alto Xingu: onças, antas, porcos-do-mato, veados, capivaras, lontras, ariranhas, graxains, iraras, macacos etc. E aves como: a imponente harpia, a negra inhuma, mutuns, jacubins, jaós, urus, até as aves de pequeno porte, como irapurus, curiós e o minúsculo beija-flor.

Nos rios e lagos é grande a quantidade de peixes como: tucunarés, pacus, piaus, matrinxãs, surubis, barbados, pintados, trairões e outros.

Dos répteis que vivem na beira da água, têm destaque as enormes sucuris e, na mata, a surucucu pico de jaca, a cascavel e a caiçaca.

Etnias do Xingu

A Terra Indígena do Xingu é composta por quatorze etnias entre o Alto, o Médio e o Baixo Xingu totalizando, aproximadamente, 5.000 indivíduos.

  • ALTO XINGU – PARTE SUL    
  • MÉDIO E BAIXO XINGU – PARTE NORTE
Tribo Dialeto Pop.
Kuikuro Karib 394
Kalapalo Karib 362
Matipu   Karib 98
Nafukuá   Karib 92
Mehináku   Aruak 183
Waurá   Aruak 270
Aweti  Tupi 106
Kamaiurá  Tupi 316
Yawalapiti  Aruak 201
Trumai Isolada 92
Ikpeng (Txikão)    Karib 281
Suyá    273
Kaiabi      Tupi 747
Yudia (Juruna)  Isolada 201

Aldeias

Os Kuikuros, com aproximadamente 5.000 indivíduos, entre crianças, jovens e adultos, estão divididos em 4 aldeias: Ipatse, Ahukugi, Lahatuá e Paraíso.

COMO NASCEU O PROJETO?

Proteger os direitos e a cultura dos Kuikuros é preservar o Brasil e sua História.

O Instituto Patriamada, na pessoa de sua fundadora Regina Fonseca, foi para o Xingu investigar a rotina da tribo, os rituais, a arquitetura das ocas, os artefatos e a relação dos índios com a natureza, com o país e com os homens da cidade.

Muito bem recebida na aldeia, Regina Fonseca passou a entender e se fazer entender aos índios, onde problemas, necessidades e oportunidades foram identificados. Com a autorização do chefe da aldeia e da FUNAI, a Toca da Raposa trouxe para São Paulo no ano de 1996, para sua aldeia cenográfica, 38 índios com o objetivo de mostrar sua cultura e comercializar seu rico artesanato.

Desde então, todo mês de abril e meados de maio, o Projeto de Intercâmbio Cultural acontece, recebe 50 índios, entre crianças, jovens e adultos. O Intercâmbio é de extrema importância, pois reforça o valor da cultura indígena, tanto para os índios quanto para os adultos, jovens  e crianças da cidade.

Hoje os Kuikuros conhecem a civilização de modo sutil e não invasivo. Aprendem o português e ensinam o karibe, vendem seu artesanato, alimentam de arte o acervo indígena da Toca da Raposa e ainda mostram como vivem em harmonia com o meio ambiente.